Software criado em Fortaleza facilita comunicação de pacientes degenerativos

O software segue em fase de teste no Hospital Geral Dr. Waldemar de Alcântara. Quando estiver pronto, será disponibilizado para download gratuito

Sem financiamento, o programa tem apresentado resultados positivos, mas não possui previsão para a implantação (Foto: Divulgação)
Foto: Divulgação

Com a proposta de melhorar a comunicação de pessoas com doenças degenerativas, com dificuldades na fala e pacientes traqueostomizados, software desenvolvido pelo professor do Departamento de Arquitetura e Urbanismo e Design da Universidade Federal do Ceará (UFC), Roberto Vieira, está sendo testado em pacientes do Serviço de Atenção Domiciliar (SAD), ligados ao Hospital Geral Dr. Waldemar Alcântara (HGWA), unidade da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa).

Com recursos próprios, sem financiamento, o professor diz que o programa tem apresentado resultados positivos, mas não possui previsão para a implantação. “Estamos estudando a melhor forma que tenha comandos mais confortáveis, com configuração mais flexível e movimentação mais adequada, sendo personalizado para cada pessoa”, afirma.

Os comandos serão guiados por meio da movimentação leve da cabeça e olhos dos pacientes, através de telas contendo o alfabeto, números, sim ou não, perguntas e repostas específicas. Para utilizar o sistema é necessário um computador ou notebook, com webcam e o sistema operacional Windows. Já estão sendo avaliadas a possibilidade de rodar em sistema Android, para uso em tablets.

Segundo Roberto, assim que finalizado, o software será disponibilizado para download gratuito, já que os programas disponíveis no mercado são caros e inacessíveis para alguns pacientes. “Conversei com pessoas que disseram que não compraram um sistema porque não tinham condições financeiras”, relata. O programa batizado de “Sistema de Comunicação Alternativa Santos Vieira”, em homenagem ao avô de Roberto, que foi diagnosticado com ELA.

Primeiro teste do Software em pacientes

Diagnosticada há quatro anos com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), Edinizia Marques, de 66 anos, foi a primeira paciente submetida ao programa de testagem. Atualmente, devido ao estágio da doença a idosa não consegue verbalizar ou movimentar as mãos, e é acompanhada diariamente por sua nora Nájila Rocha.
“Antes, ela conseguia escrever e se comunicar pelo ABC em papel, mas, com o avanço da doença, ela já não consegue mais. Ela ficou muito animada e nós também. No primeiro momento, já sentimos um pouco do retorno em nossa comunicação com ela”, comemora Nájila.

Inclusão e autonomia

De acordo com Ítala Oliveira, coordenadora do Serviço de Atenção Domiciliar (SAD), esse projeto tem impacto na diminuição de distâncias entre o paciente e a sociedade, favorecendo o protagonismo e reinserção na rotina domiciliar por meio da comunicação alternativa.

Ítala ressalta que essa comunicação facilitada ajuda no fechamento de ciclos de vida dos pacientes portadores de doenças degenerativas. “Através dessa possibilidade de comunicação, queremos que perdões aconteçam, que desejos sejam realizados, que eles expressem emoções e vontades, que não fique presos dentro do próprio corpo”, comenta.

Crédito: O Povo

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